sábado, 3 de setembro de 2011

Salão de Recusados XXXVII : Francisco Xavier de Meneses


Vi que o favor da Corte era vaidade
achei no amor desdém, sustos e enganos,
gastei no estudo a vista, o gosto e os anos
encontrei inconstâcias na amizade.
Astúcias me ofenderam a bondade,
e o benefício ingratidões e danos,
teve o valor por prémio desenganos,
o conselho queixosos da verdade.
Julgou-se a cortesia abatimento,
chamaram lisonja ao que era agrado,
dissipou-se no gasto o luzimento.
Cortou-me a inveja o espírito elevado,
não sei se me ficou o entendimento
só para conhecer-me desgraçado.

Notas: o soneto transcrito acima tem como autor Francisco Xavier de Meneses (1673-1743), 4º Conde da Ericeira, que o terá escrito no final da vida. Foi presidente (1693) da Academia dos Generosos, cujas sessões tinham lugar no seu Palácio.
Na transcrição do soneto procederam-se a pequenas actualizações ortográficas.
O retrato que encima o poste representa D. JoãoV.

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