sábado, 27 de maio de 2017

Citações CCCXVII


Diz-se que o povo é soberano, mas soberano de quem? - aparentemente, dele próprio.

François-Xavier de Maistre (1763-1852).

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Brahms / Levickis

O acordeão não me lembra a França. Antes, outro rio (o Ave) e as tardes de Setembro juvenis, em que ainda não conhecia a música de Brahms. Isso, foi mais tarde e  na Alemanha.

para Maria Franco, que me apresentou este magnífico acordeonista húngaro: Martynas Levickis.

Osmose 87


Quando venho para aqui e vejo o rio, inexplicavelmente, as suas águas doces, quase sempre tranquilas (ao longe), fazem-me lembrar águas salgadas antigas, agitadas e irrecuperáveis. De Agosto dos meus anos mais jovens. E as férias eternas, ou simplesmente grandes, como são as de infância, na sua liberdade sem sentido, em que tudo parecia acomodar-se. Ou que se foi arrumando, a bem, na memória. E tudo parecer estar certo, de equilíbrio e felicidade - seja lá o que isso for...

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Não só, mas também


O lado mais popular, e efémero, da visita breve do papa Francisco a Fátima, fez esquecer e obscureceu alguns aspectos secundários que foram propiciados por essa visita, e cuja importância ainda se pode avaliar e fruir.
Falou-se pouco, ou quase nada, das obras de arte que acompanharam a visita pontifícia, vindas dos Museus do Vaticano, e que enobrecem, temporária mas grandemente, duas exposições de Lisboa, que ainda podem ser vistas. Uma, de que aqui já falámos, na galeria de exposições da Igreja de S. Roque, a propósito do pentacentenário do Compromisso da Misericórdia (1516); outra, no Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA), sob o título ou temática: Madonna.
Visitámos, hoje, esta última mostra. E se a surpresa de encontrar um pequeno Chagall inesperado, vindo dos Museus do Vaticano, me deslumbrou, não fiquei indiferente à cópia da Pietá de Miguel Ângelo, ou às pequenas tábuas de Rafael. E pude assim rever, também, o único Da Vinci, nas terras portuguesas, esse, vindo do Porto, da sua Faculdade de Belas-Artes, que muito raramente é exposto, por razões óbvias. E que, se calhar, muito pouca gente conhece...


Pequena história (46)


O Festival de Cinema de Cannes celebra este ano a sua edição 70. Por isso, L'Obs (nº 2740) dedicou ao acontecimento seis páginas, com depoimentos de vários cineastas que ganharam a Palma de Ouro. Lembra também, a revista francesa, alguns dos realizadores agraciados, como por exemplo: Emir Kusturica (Underground), Quentin Tarantino (Pulp Fiction), Martin Scorcese (Taxi Driver). O cineasta francês Claude Lelouch (1937) foi também premiado com a Palma de Ouro, em 1966, pelo seu filme Un homme et une femme, partilhando o galardão com o italiano Pietro Germi (1914-1974).
O realizador francês, no seu depoimento a L'Obs, refere que François Truffaut o felicitou efusivamente, na altura, dizendo-lhe também: Vous êtes l'enfant de la Nouvelle Vague qui a le mieux grandi, j'aimerais qu'on fasse un numero spécial sur vous dans les "Cahiers du cinema". Mas Lelouch não gostou de se ver perfilhado e retorquiu-lhe: Je suis ravi, mais je ne suis pas un enfant de la Nouvelle Vague. Ao que Truffaut lhe respondeu, algo irritado: Vous avez la grosse tête. Uma semana depois, o crítico Jean-Louis Comolli, em artigo nos Cahiers du Cinema, arrasava o filme de Claude Lelouch, pela negativa...

terça-feira, 23 de maio de 2017

Variações sobre as coisas que andam no ar


Não se tinha passado sequer uma semana, depois do meu poste sobre animais domésticos (16/5/2017), e eis que, ao comprar o penúltimo TLS (nº 5954), vejo a sua capa e temática consagradas às relações entre os humanos e os bichos. Na altura do poste, no Arpose, lembrei-me de Gilbert Cesbron (1913-1979), por associação, e dos seus "Cães perdidos sem coleira" (1954), livro que teve um enorme sucesso nos anos 50/60, e que tratava dos padres-operários, experiência piloto que a Igreja católica permitiu e sancionou, pouco antes desse renascimento religioso de dimensões fraternas, mas também realistas, que foi o Concílio Vaticano II, resultado da previdência, e do dinamismo humano e inteligente de João XXIII. A viradeira veio a dar-se, depois, com Paulo VI...
Haverá pioneiros sempre, incompreendidos na altura, mas quem pensa e sente, com verdadeira atenção e humildade o seu tempo, tem, muitas vezes, grandes possibilidades de antecipar o futuro próximo - no fundo, aquilo que já anda no ar do tempo. Para usar as palavras que Nina Ricci deu a um belo perfume feminino (L'Air du Temps), em 1948. E para dar um exemplo mais simples e corriqueiro.

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Sofia Gubaïdulina (1931)

Arquivos, espólios, cartas, fotografias, recortes...


Nem sempre os espólios passam de ser vivo para ser vivo. Naturalmente, a trasladação passa de pessoas desaparecidas para sobreviventes ou herdeiros, ou, noutros casos, para instituições capazes de cuidar desses papéis, de forma técnica e apropriada. Essas heranças dão-se, muitas vezes, por razões de espaço a ganhar, em casas particulares sem grandes dimensões, nem capacidade de armazenamento físico. Noutras ocasiões, os donos desses espólios, por questões práticas, resolvem doar em vida ou vender, a instituições culturais ou regionais, o excedente supérfluo para poderem conservar o essencial, em sua casa.
Passei, recentemente, cerca de 4 dias a desbastar cerca de uma centena de envelopes, que me tinham sido confiados ad eternum, por um Amigo. E, isto, porque eu próprio também estava a necessitar de espaço em minha casa. Ordenado alfabeticamente, o espólio tinha servido de suporte a uma publicação cultural que, já há largos anos, tinha deixado de existir. Nos envelopes, havia de tudo: fotocópias, cartas, recortes de jornais, revistas, fotografias, cartões de visita, C. V., bibliografias... Uma grande parte documental perdera, entretanto e completamente, a actualidade e/ou interesse do que fora, em tempos (15/30 anos, atrás), acontecimento notabilíssimo. A lei do tempo que, como disse Yourcenar, é um grande escultor.
De tudo isso conservei apenas cerca de um quinto do acervo inicial.

para A. de A. M., afectuosamente.

domingo, 21 de maio de 2017

Bibliofilia 153


Os manuscritos têm quase sempre o seu lado interessante e curioso, quando não de mistério insolúvel. Não sendo eu especialista na matéria, os poucos que tenho, na minha biblioteca, proporcionaram-me, no entanto, horas aprazíveis de concentração e entretenimento, depois de os adquirir. Na decifração dos textos e diferenças em relação aos eventuais originais (impressos em livro), na tentativa (por vezes, inglória) de identificação dos autores, na interpretação de pequenas notas também escritas à mão, quando existem, nas margens de páginas envelhecidas e devotadas à perpetuação no tempo, feitas por escribas dedicados e anónimos.

Este manuscrito de 36 páginas inumeradas, que ora se apresenta, tê-lo-ei comprado em finais do século XX, num alfarrabista de Lisboa, mas já não me recordo de quanto paguei por ele. Por várias circunstâncias e indícios, sou levado a crer que deve ter sido escrito na segunda metade do século XVIII, sem grande margem de erro. Desencadernado, provavelmente terá integrado uma miscelânea mais volumosa. Em mediocres condições de conservação, apesar do papel ter marca de água e ser encorpado, ao seu corpo íntegro deverão faltar, pelo menos, as duas folhas iniciais.



O conjunto manuscrito contém obras poéticas (vários sonetos, por exemplo) do vimaranense António Lobo de Carvalho (1730?-1787), poeta boémio e fescenino já referido aqui no Arpose (postes de 14/7/2010 e de 26/10/2011), conhecido pela alcunha de Lobo da Madragoa, bem como quintilhas e outros poemas de Nicolau Tolentino de Almeida (1740-1811). O teor das composições é, maioritariamente, satírico. De algumas outras poesias não consegui identificar os seus autores, e é possível que se trate de escritores menores e/ou ignorados, que não chegaram a ter as suas poesias publicadas. Dá-se, finalmente, a transcrição de um soneto (talvez inédito) dirigido a Alexo Botelho, cujo autor desconheço, actualizando a sua ortografia:

Ginja peralta falador Botelho
Potro infeliz que segues as belezas
Não te embasbaquem ainda as gentilezas
Porque amor não faz ninho em tronco velho.

Não de escritos dá-lhe um bom conselho
Não têm preço com rugas as finezas
E se este que te dou néscio dispensas
Tira a peruca, vê-te a um espelho.

Verás polvilhada uma caveira
Em que os ossos nos mostram claramente
Entre caruncho uma alma galhofeira.

Casquilho de um vestido unicamente
Ai se o Manique sabe desta asneira
Prega-te no castelo certamente.

sábado, 20 de maio de 2017

Citações CCCXVI


A família pode ser uma verdadeira casa natal ou um lívido inferno.

Claudio Magris (1939), in Corriere della Sera (15/10/2007).

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Pat Metheny (1954)

Centrão, revisitado


Ontem à noite, na RTP3, após a notícia do nosso PR, em visita à Croácia, ter admitido a hipótese de Portugal vir a crescer cerca de 3,2%, assisti a um diálogo surreal, moderado inteligentemente por Ana Lourenço, entre Marçal Grilo (ex-ministro da Educação de um governo PS) e Nobre Guedes (um ex-ministro do Ambiente, indicado pelo CDS, num governo do PSD).


Pareciam travestis ou hermafroditas políticos. Marçal Grilo, com aquela sua voz de abade beirão, de quem ainda tem sopa de feijões na boca, ao falar, defendia fervorosamente as anteriores reformas do governo de Passos Coelho, que teriam permitido os sucessos do actual governo. E Nobre Guedes, com aquele seu ar ligeiro, fluente, da linha de Cascais, em tom azul cueca (não estranhem, até há um blogue luso com este lindo nome, na Net!...), re-clamava e aplaudia, com grande desportivismo, os resultados económicos presentemente alcançados e previstos, do governo de António Costa.



Fiquei varado. Teriam trocado de camisola? - perguntei-me eu, confundido e perturbado, por estas criaturas tão bem falantes e assertivas, na sua pureza de comentadores.
Caí em mim. Não, com certeza: são os fantasmas do Centrão a funcionar, no seu melhor registo mercenário e permissivo, tentando conservar e assegurar as suas mordomias. 
Ainda bem que, temporariamente pelo menos, nos livrámos deles. Irra!

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Adagiário CCLXXII


1. Onde há redes, há rendas.
2. Aprende chorando e rirás ganhando.


Nota: os dois provérbios foram colhidos no livro Roteiro Sentimental (3), de Manuel Mendes (1906-1969); a fotografia, que encima o poste, pertence ao arquivo da C. M. de Vila do Conde.

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Algumas palavras sobre música e poesia


Um diálogo, quer seja material e oral, quer ele surja do silêncio de uma leitura que fazemos, não é necessariamente uma convergência coincidente - desculpe-se o pleonasmo. Nem sempre a sintonia é perfeita, ou por nós aprovado o teor inteiro desse pensamento partilhado. Não estou inteiramente de acordo com grande parte das afirmações que Mário Vieira de Carvalho (1943), conhecido e respeitado musicólogo, faz hoje na sua crónica do jornal Público ( Cantar em português). Mas há quatro frases no seu texto, sublinhadas por mim, em que a convergência é quase completa.
Na eventualidade de alguém não conseguir lê-las, na imagem, aqui deixo a transcrição:

" No poema, porém, as palavras tornam-se música. Ou não haverá poema. Só há poema quando a significação das palavras é transcendida e se franqueia o limiar do indizível. Daí a saudade da unidade ancestral da poesia e música que se perdeu com a instucionalização da dicotomia entre oralidade e escrita."

Idiotismos 41


Consolem-se, que hoje as palavras estranhas, ou regionalismos, vão ser do domínio da gastronomia. E, para mais, do Minho. Alto, quer-se dizer, que as li pela primeira vez num livro de um poeta vianense, que era também bom garfo e apreciava a boa mesa - António Manuel Couto Viana (1923-2010). O volume, que gentilmente me foi oferecido pelo meu bom amigo H. N., com dedicatória do seu autor, tem o título saboroso de Bom Garfo & Bom Copo (Vega, 1997). 
Vamos, então, aos idiotismos. Os primeiros que me apareceram são alcunhas minhotas da estimada Lampreia, ciclóstomo que costuma aparecer por Fevereiro e Março, ciclicamente, para prazer dos gourmets e não só, nas suas mesas. Pois, no Alto-Minho, chamam-lhe também: chupa pedras e flauta de sete olhos, por razões do seu habitat, mas também do seu aspecto físico. Assim seja, à moda minhota, como a provei este ano, ali para os lados do Areeiro, à bordalesa. E boa que ela estava!
Quanto ao pentear do vinho, diz-nos Couto Viana, recorrendo a José Pedro Machado e ao seu Dicionário, que é: deixar "o vinho encorpado estrias e rubis ao longo das paredes internas da tambuladeira ou malga de prova." A tijela, ou malga, claro, serão minhotas.
E, hoje, por aqui me fico.

terça-feira, 16 de maio de 2017

Satie / Poulenc

Os animais domésticos e os outros


Aqui, pelas cercanias, já se podem contar quatro cães vadios, ultimamente. A matilha parece capitaneada por um pastor-alemão, de olhar dócil, que permite supor que já terá sido o ai, Jesus! de alguma família que, entretanto, se terá cansado dele não sei por que motivos...
Não sou particularmente afeito a cães: fui mordido várias vezes na infância e começo da juventude. A minha estima, a nivel de animais, vai toda para os sensíveis e nervosos canários que, às vezes, cantam lindamente. Tenho deles recordações inesquecíveis.
A estes cães abandonados, cujas matilhas crescem progressivamente, a Câmara, de tempos a tempos, costuma levá-los para o canil municipal - cumprindo um elementar serviço público, também de higiene. Mas hoje, dei-me a pensar, que tendo sido domésticos, estes animais frequentam, decerto, as redondezas dos seus antigos lares. E pergunto-me se os seus ex-donos, ao vê-los, não experimentam qualquer tipo de sentimento?
Os animais...

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Mercearias Finas 122


A Norte, em tempos imemoriais da minha vida, no Sábado de Páscoa, e depois de vermos a Queima do Judas, ao meio-dia, na rua da Rainha, antes de entrarmos na Praça vimaranense para ir comprar o cabritinho, no talho do Zé Bento, passávamos por duas ou três bancas onde se espraiavam, ao ar livre, sobre imaculados panos brancos, o Pão-de-Ló de Margaride, as Cavacas e uns bolinhos redondos pintalgados de açúcar que, vim a saber depois, se chamavam Bolos de Gemas, e que faziam as minhas delícias de infância com o café com leite do lanche, sorvido em pequenos goles demorados.
Bem os procurei, no Sul, mais tarde, mas em vão, por várias vezes.



Ora, ultimamente, aqui pelos subúrbios, tem havido, embora de forma irregular, umas feiras, aonde acorrem vendedores-produtores de viandas de província e outras guloseimas de fabrico artesanal e de boa qualidade. Vêm do Minho, de Trás-os-Montes, das Beiras. Trazem queijos, produtos de fumeiro, doces regionais, presuntos e, às vezes, vinhos de produção pequena e rótulos desconhecidos.
No antepenúltimo fim-de-semana, a Trafaria acolheu um grupo numeroso destes feirantes regionais, com grande diversidade de produtos. E lá consegui encontrar e comprar os meus apetecidos e saudosos Bolos de Gema nortenhos, com a sua macieza de pão-de-ló interior e a estaladiça cobertura de açúcar, esbranquiçada, por fora. Para matar saudades e  gula.


domingo, 14 de maio de 2017

As palavras do dia (27)


"... A ironia da história faz com que o Papa Francisco tenha sido recebido pela multidão com uma palavra de ordem simbólica do 25 de Abril, Francisco, amigo, o povo está contigo."

José Pacheco Pereira, in Fátima de manhã, futebol à tarde e à noite (jornal Público, 14/5/2017).

P.S.: quando J. P. P. escreveu esta crónica, ainda não se sabia quem era o vencedor do Festival da Eurovisão... Pese embora que uma balada não seja Fado, castiça e necessariamente.

Catrin Finch (1980)

sábado, 13 de maio de 2017

Uma fotografia, de vez em quando (96)


Fátima, 12 de Outubro de 1951.
Todos temos um passado. Não convém omiti-lo, por coerência com a verdade dos factos.
(Para acompanhar, humildemente mas distanciado, a mainstream do dia...)

Altos patamares


Luís Sottomayor (1963) é o enólogo responsável pelas últimas colheitas do Barca Velha, vinho do Douro e de alta qualidade, que foi criado, em 1955 (data recentemente certificada, e com apenas 19 edições), por Fernando Nicolau de Almeida (1913-1998). À colheita de 2008, já orientada por aquele enólogo da Sogrape, foi atribuída, pela Wine Enthusiast, a classificação máxima de 100 pontos, situação inédita na enologia portuguesa. 
Pelo feliz acontecimento, o jornal Expresso entrevistou Luís Sottomayor, de quem eu gostaria  de transcrever a sua última resposta, à pergunta que lhe foi feita:

A maior parte das pessoas nunca provou um "Barca Velha". Como é que lhes apresentaria o vinho?

Pensem numa pessoa por quem tenham respeito e consideração. Alguém a quem reconheçam carácter, personalidade e, ao mesmo tempo, sentimentos. É assim o Barca Velha.

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Iris Tree (Inglaterra, 1897-1968)


Disenchantment


Silêncio
- algures na terra
há uma razão que eu desconheço ou esqueci.
As árvores fecharam-se, de pernas para o ar,
como pilares de um templo sem telhado e em ruinas.
Há uma razão no Céu
para mim, porém,
desconhecida.



Iris Tree, in Wheels (1919).

Do rifoneiro castelhano (12)


1. Ida por ida, más vale a la taberna que a la botica.
( Ida por ida, mais vale à taberna do que à farmácia.)

2. Quien  lejos va a casar,  o va a engañado o va a engañar.
(Quem  longe vai casar, ou vai enganado ou vai a enganar.)

3. Ira de enamorados, amores doblados.
( Ira de namorados, amores redobrados.)

Epifania


Não falar hoje de desporto e de música, quero eu dizer, de Futebol e de Fado, será imperdoável e pecaminoso, para a trindade santíssima dos três efes do nacional-porreirismo.
Por isso, aqui cumpro também, devotamente, a minha obrigação, com humildade, como se ainda estivesse ancorado no tempo augusto da velha senhora.

Revivalismo Ligeiro CCLXV

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Retro (93)


Três remetentes (Hilda, Júlia e Ruth) para uma única destinatária portuguesa (Sophia), creio que todas jovens. Três paisagens inglesas e a reprodução de um quadro pífio, são as imagens. O mais antigo postal foi escrito a 8 de Junho de 1901, tendo carimbo de recepção lisboeta datado de 12/6/01. O último, único postal circulado apenas em Portugal, tem a data de 28/6/1914. Todos portanto centenários. O pouco e vago espaço para escrita foi profusamente ocupado e ultrapassado por duas das correspondentes, talvez mais excessivas e voluntaristas.
Sophia terá tido, na vida, uma evolução qualitativa: passou da rua de S. Roque, em Lisboa, para a rua dos Navegantes, em Cascais, que, já na altura, seria mais fino, com certeza...
Pelo teor da correspondência, de aérea leveza de espírito, nota-se a vivacidade e a juventude das núbeis correspondentes.

Citações CCCXV


Todas as grandes verdades começam, normalmente, por ser blasfémias.

George Bernard Shaw (1856-1950), in Annajanska (1919).

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Exposição : Compromisso da Misericórdia


Não será do interesse geral, mas de alguns. E poderá despertar, em outros, a curiosidade de saber mais e melhor.
Para celebrar o pentacentenário da primeira edição impressa (1516) do Compromisso da Misericórdia, a Santa Casa de Lisboa inaugurou uma interessantíssima exposição, anexa à Igreja de S. Roque, que estará patente ao público até 10 de Setembro de 2017. O catálogo é precioso, pelos textos especializados e qualidade da iconografia temática. Desta última, destacaria duas obras quatrocentistas: uma que veio do Vaticano e outra de Teruel, sendo que esta última, em imagem, acompanha (parcialmente) a frente do magnífico catálogo. Mas há também um quadro atribuído a Gregório Lopes, numa das salas, que merece ser visto.
A não perder, portanto.

terça-feira, 9 de maio de 2017

BB


O que lhe deve ter custado ter escrito para o CM ultimamente, ele, cuja pergunta sacramental, nas entrevistas, aos interlocutores, era: Onde é que estava no 25 de Abril?... Mas, como dizia Garrett: A necessidade pode muito... E um colega, jornalista também, esclareceu, em depoimento televisivo, que a reforma dele era uma ninharia e que Baptista-Bastos (1934-2017) nunca teve fortuna pessoal, e teve que trabalhar, quase, até à morte, que ocorreu hoje, para ir sobrevivendo. 
No único breve encontro em que falei com ele - erámos 4 - a uma mesa de A Velha Gruta, ao Camões, eram horas de jantar, e eu tive o azar de lhe gabar O Homem em Ponto (1984), conjunto de entrevistas, brilhantes e incisivas, a algumas personagens importantes da cena portuguesa. Ficou fulo... E terá dito qualquer coisa como: "...parece que ninguém se lembra dos meus romances e novelas..." Percebi assim, nessa altura, que esse grande jornalista português prezava, acima de tudo, os seus  trabalhos de ficcionista.